Posso falar pela minha área de atuação. Nunca se viu tanta mudança na área de Comunicação como agora. Não digo apenas pela migração do impresso para o digital, ou pela chegada de novos formadores de opinião com os influenciadores digitais.
Falo pela mudança não apenas na forma mas também pelo conteúdo. Talvez o lado mais desafiador, ou assustador para alguns, é que a quantidade de perguntas hoje é infinitamente maior que a de respostas.
É mais uma metamorfose que propriamente uma mudança, a qual gera muitas vezes desconforto pela falta de soluções que eram facilmente encontradas no cardápio histórico. De lagarta a borboleta e vice-versa, por algumas vezes. Importante mesmo hoje é quem está disposto a aceitar a mudança de peito aberto, sem o “sempre fizemos assim”.
Na música Metamorfose Ambulante, de 1973, Raul Seixas cantava frases que se enquadram perfeitamente nesse momento da comunicação.
“Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”
Sim, aceitem o fato de que blogueiros não são jornalistas e isso não muda em nada sua relevância para seus seguidores.
Sim, aceitem o fato de que jornalistas hoje são apenas parte do universo de formadores de opinião.
Sim, aceitem o fato que hoje qualquer infuenciador digital de pequena relevância (até 100 mil seguidores) já tem audiência superior a qualquer um dos jornais das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste (incluindo o DF), e no Sul, estados como Paraná, e Sudeste, como Espírito Santo. Com uma vantagem: em vez de matérias sobre os mais variados temas, geralmente o influenciador publica uma única postagem (foto, texto, vídeo), portanto com foco muito maior.
Sugestão para enfrentar os desafios? Aceite-os. Pule de cabeça e inicie seus testes. Ficar parado já não é mais opção. No entanto, mente quem diz ter as respostas universais nesses tempos. Uma ressalva: não deixe o caos se instalar.
Experimente e verifique a percepção. Teste novamente. Uma vez bem aceito, implemente. Mas saiba que não será perene. Nada mais é na comunicação na era digital, a não ser seu público que continua a ser uma pessoa. Coloque-se sempre em seu lugar. Ouça-o.
Estimule o seu time a tentar sem medo de errar, a tentar não só escrever diferente mas gravar vídeos com celular, fazer postagens mais livres, mais coloquiais. Abra espaço para uma quebra nos padrões de qualidade de imagem, títulos sem verbo de ação.
Uma ressalva: não deixe o caos se instalar. Estimule ideias com proposito. Não se perca nas ideias novas. Crie pontes para a transição mas não se agarre a velhos costumes. Deixe-os morrer. Desapegue.
A mudança é a única certeza. Ande de mãos dadas com ela.